Catarina

Sou Catarina Medeiros. Tenho noventa anos. Viúva, mãe de quatro filhos, treze netos, três bisnetos. Moro sozinha na estância que construí com meu marido. Por aqui, hoje, só eu e três empregados na casa, que a mantêm em ordem e a mim, até que finalmente, se houver mesmo esse Deus em que tantos acreditam, que Leia mais… »

Epitáfio em três versos

Onofre foi enterrado às nove horas de uma manhã fria e chuvosa. Alberto, ante o lóculo onde deixaria para sempre o amigo, sentiu a tristeza comprimir o peito. Não pela separação sem retorno, mas pela despedida em dia tão feio. “Onofre merecia partir com céu claro, de azul límpido, sol manso e brisa perfumada”, pensou. Leia mais… »

É simples: porque ela não quer

Não estou no meu lugar de fala, porque sou mãe, muito satisfeita por sinal, só que preciso me manifestar sobre mulheres que optam por não ter filhos. Sim, optam. Elas podem optar. Melhor: estão conseguindo falar a respeito. Estão conseguindo soltar a voz, se desprender do aprisionamento que é ser mulher em todas as situações Leia mais… »

Mulherio das Letras

Um marco histórico cravado em João Pessoa Durante quatro dias em João Pessoa tentei, todas as noites, escrever sobre o nosso encontro. Os dedos permaneciam em prontidão, aguardando alguma mensagem do cérebro que pudesse ser decodificada e transformada em palavras, mas nada saía. Os dias por lá terminaram, retornei à casa e o turbilhão de Leia mais… »

A hipocrisia fede

Quando era criança, até pelo menos uns dez anos de idade, minha mãe determinava a hora de dormir. Quase nunca passava das nove. Não tinha “Ah, mãe!”. Era vai deitar, tá na hora, leite e cama. Raras vezes podia esticar um pouco, quando tinha visita em casa, aos domingos, mas a rotina era a de Leia mais… »

De ontem pra hoje

Há momentos específicos em que recordações de infância retornam aos borbotões. Se já não soubesse algo sobre as rasteiras do inconsciente, diria que me chegam do nada. Só que não. Com a idade próxima dos cinquenta, é inevitável o retorno no tempo, para devidas avaliações e revisões, mesmo sem fazer esforço. A cabeça vai lá, Leia mais… »

Dois tempos

– Mãe, sobe aqui, rápido! Você precisa ver isso! – Que é? Está me assustando! – Sobe, depressa! Corro para o andar de cima e ele me mostra, da janela do quarto, o céu roxo que adoro, prestes a desabar em chuva. É quase possível sentir o peso da água, que a força da gravidade Leia mais… »

Quarenta e duas rosas brancas

Assisto à chuva pela janela e me lembro da mulher que jogou quarenta e duas rosas brancas para Iemanjá à meia-noite do dia 31 de dezembro. Sob a tempestade, lá estava, segurando com uma das mãos o guarda-chuva – que não guardava nada –, e na outra, a sua oferenda. Ajoelhada à beira d’água, fez Leia mais… »

Domingo de chuva, tão dela

Não é a primeira vez nem a última que digo: adoro dia cinza, quase preto; adoro chuva, fina ou grossa, fria ou quente; adoro relâmpagos, trovões, ventania; adoro um domingo inteiro dentro de casa, com olhares furtivos pela janela a divisar um pedaço do céu escuro, pesado. Parece depressivo, mas, não há prazer na depressão, Leia mais… »