Epitáfio em três versos

Onofre foi enterrado às nove horas de uma manhã fria e chuvosa. Alberto, ante o lóculo onde deixaria para sempre o amigo, sentiu a tristeza comprimir o peito. Não pela separação sem retorno, mas pela despedida em dia tão feio. “Onofre merecia partir com céu claro, de azul límpido, sol manso e brisa perfumada”, pensou. Leia mais… »

Regaço perverso

Ia àquele consultório toda semana. Era uma obrigação imposta pela família “conversar com o doutor Gilson”, como se aquele palavrório sem sentido fosse me fazer mudar de rumo em plena crise de rebeldia-pós-casamento-precoce-mal-feito-recém-terminado. A intuição nunca me enganou; a única pessoa em casa que tinha restrições ao doutor era eu. Ninguém sabia, mas eu passava Leia mais… »

Vitrine

Diante da vitrine ela cristaliza. Estática, vê a beleza estonteante exposta ali, diante dos seus olhos, que se arregalam, ao mesmo tempo em que ganham um brilho ansioso, misto de tentação e admiração aniquilantes. Ela não pode, não deve, porém uma atração irresistível a toma por completo. O corpo arrepia, as pernas amolecem, a boca Leia mais… »