Dois tempos

– Mãe, sobe aqui, rápido! Você precisa ver isso! – Que é? Está me assustando! – Sobe, depressa! Corro para o andar de cima e ele me mostra, da janela do quarto, o céu roxo que adoro, prestes a desabar em chuva. É quase possível sentir o peso da água, que a força da gravidade Leia mais… »

Quarenta e duas rosas brancas

Assisto à chuva pela janela e me lembro da mulher que jogou quarenta e duas rosas brancas para Iemanjá à meia-noite do dia 31 de dezembro. Sob a tempestade, lá estava, segurando com uma das mãos o guarda-chuva – que não guardava nada –, e na outra, a sua oferenda. Ajoelhada à beira d’água, fez Leia mais… »

Domingo de chuva, tão dela

Não é a primeira vez nem a última que digo: adoro dia cinza, quase preto; adoro chuva, fina ou grossa, fria ou quente; adoro relâmpagos, trovões, ventania; adoro um domingo inteiro dentro de casa, com olhares furtivos pela janela a divisar um pedaço do céu escuro, pesado. Parece depressivo, mas, não há prazer na depressão, Leia mais… »

Eu, meu pai, Haroldo de Andrade e seu programa

Curtia um momento de audição de música clássica no fim de semana em casa. Meu marido descobriu uma coleção antiga e resolveu bisbilhotar o que havia para apreciar. Ouvíamos uma coletânea, digamos, popular, quando tocou o Concerto Nº 1 para Piano e Orquestra, de Tchaikovsky. “É a trilha de abertura do programa Haroldo de Andrade! Leia mais… »

Morte clandestina

Quando morri por alguns instantes, meus olhos, antes cerrados pelo sono temporariamente eterno, abriram-se, e arregalados, defrontaram o inusitado que poderia ser a morte. Nos poucos minutos em que morri, vi a vida se abrir na escuridão e o torpor do corpo se tornar liberdade. E a massa de ossos e músculos e gordura e Leia mais… »