O ar que me falta

Li o livro do Luiz Schwarcz, “O ar que me falta – História de uma curta infância e de uma longa depressão” (Cia. Das Letras, 2021).

Ele tem depressão. Ele é bipolar. Ele escreveu sobre isso.

Não importa a classe social, a conta bancária, a cor da pele, não importa nada. O ser humano sofre.

A depressão é cega, surda, muda, sem tato e sem olfato. A depressão é democrática. A depressão é popular; gosta de gente, qualquer gente, toda a gente.

O livro é bom, a narrativa é simples, direta e objetiva. Sem rodeios, Schwarcz desabafa sobre suas piores crises depressivas, a demora o diagnóstico de bipolaridade, sua história familiar, o casamento com a antropóloga Lilian Schwarcz, a quem ele credita o seu “lado bom”.

Ainda não havia lido nenhum livro-relato de depressão, embora conviva com a dita cuja diagnosticada há quatro anos. Interessante me enxergar na experiência do autor, me reconhecer em tantas dores idênticas, em tantas inseguranças, nos suores frios, na mesma companheira permanente sensação de vazio. Bom pra saber, de verdade, que não estou sozinha.

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